Frei
Lamberto Lambooy, O.Carm. ( Nasceu
30-06-1916 em Hengelo (Holanda. Faleceu em 12 de janeiro de 2000).
Por Frei
Carmelo Cox, O.Carm.
Nasci
em 30 de junho de 1916 na cidade de Hengelo. Você pode sem exagero
dizer que eu era um rapaz piedoso. Ia à igreja todos os dias e era
coroinha. Toda a turma da escola, inclusive o professor assistia à
missa diariamente. Também a minha família era muito religiosa. Eu
tinha um tio que era Carmelita e trabalhava no Brasil. Eu queria ser
a mesma coisa. Os meus pais me mandaram, porém, para uma escola
secundária, por um ano. Era para eu refletir antes de tomar uma
decisão. O meu pai também estudara no seminário de Zenderen e por
experiência própria que para ser sacerdote não bastavam só o
desejo e a boa vontade. Influenciado pelo ambiente familiar e por meu
tio, não mudei de idéia, apesar das histórias do meu pai. Sempre
me contava que também estudara em Zenderen e que certo dia apanhara
por algo que não tinha feito. Então pegou a sua bicicleta e voltou
para casa. Disse à mãe dele que não mais voltaria de
jeito nenhum. Assim acabou a carreira religiosa do meu pai. Tendo
falecido o meu avo, o meu pai teve que trabalhar no comércio de
madeira para sustentar a família. Fui, portanto, para Zenderen. As
histórias do meu tio, muito românticas, eu não esquecia. Já me
via viajando a cavalo pelo Brasil para anunciar a Fé. Mais tarde
quando de fato acontecia isto, não era tão romântico como eu
pensava. Em vez disto sentia dores no lado inferior da minha
inteligência.
Quando
foi para Zenderen já tinha decidido de ir para o Brasil?" Já.
Havia em Zenderen muitos rapazes da mesma paróquia que eu e deles
muitos vieram para o Brasil: Emílio Wienk, Basílio Beune, Emídio
ter Beke, Geraldo Meijer e Justino Velthuis, todos Carmelitas e todos
da mesma paróquia. Viajei para o Brasil em 1933, tinha completado
dezoito anos. A grande pergunta era se devíamos ir para Itu ou
direto para o Noviciado. A decisão foi a nosso favor. Fomos direto
para o Noviciado. Imagine, tínhamos 17, 18 anos e direto para o
Noviciado, junto com vários Brasileiros, sem falar nada do idioma.
Mas naquela época tudo era possível. A vantagem foi que aprendemos
a língua com bastante facilidade. Depois de um ano fizemos a
profissão simples e fomos para São Paulo. Aos 23 anos tinha
terminado os estudos. Muito novo demais.
O
Noviciado foi tranquilo. O nosso Mestre era Alexandre Reinders. Um
homem bom mas muito escrupuloso. Gastávamos dele e tínhamos dó.
Como noviços íamos todos os dias à Missa. Esta demorava uma hora e
meia porque Alexandre, devido aos escrúpulos não conseguia terminar
a Missa. Ele sentia-se indigno de ser sacerdote e de celebrar o santo
sacrifício da Missa. Muitas vezes outro Padre tinha que ajudá-lo
para poder terminar as orações. Como Mestre de Noviços, Alexandre
foi um pai para nós. Fazia tudo para que o tempo do Noviciado
decorresse da melhor maneira possível. Regularmente ia passear
conosco, de modo que não éramos obrigados a ficar sempre dentro do
Noviciado. No fim do ano partimos para São Paulo. Dos estudos não
me lembro muito.
Uma
vez por semana íamos para a nossa fazenda fora da cidade e
regularmente visitávamos todos os Bancos e escritórios para
recolher selos. Tínhamos muito trabalho naquele tempo. Tínhamos
aprendido um pouco de latim em Zenderen e os professores também não
sabiam muito. As aulas eram dadas em latim. A gente se comunicar era,
portanto, difícil, mas não faltava boa vontade. A minha impressão
daquele tempo, no entanto, é: rotina. As únicas coisas atraentes
eram as ordens menores de acólito, exorcista, sineiro e
subdiaconato, diaconato e ordenação. Eram momentos mais animados.
Para mim pessoalmente era um tempo de incertezas também. Reconheço
honestamente que, desde criança, que não fui um rapaz bonzinho e
obediente. Todos portanto fixavam os olhos em mim. A minha profissão
simples decorreu sem problemas. Mais tarde ouvi dizer que havia
alguns feijões pretos. Isto significava que já fora discutida a
minha aptidão para a vida religiosa que afinal à uma vida de
obediência. Partiu-se do princípio de a aptidão de fato existia e
que com o decorrer do tempo tudo iria melhorar. Assim fui indo, passo
por passo. Até o momento em que se devia votar em relação à minha
ordenação de subdiácono. Para votar cada Padre recebia 4 feijões.
Os feijões pretos significavam contra, feijões brancos a favor.
Resultado: 16 votos a favor, 14 contra. Estava claro. Não podia me
ordenar subdiácono. Não tinha mais jeito. Isto foi em
setembro. Os meus colegas continuavam e foram ordenados diáconos e
sacerdotes. Eu não. Isto foi em 1939. Canísio Mulderman me
consolava dizendo que semelhantes coisas aconteciam nos Conventos mas
que também chegaria o momento. O pior era que os meus pais não
sabiam de nada e ouviram no Domingo, na igreja da
paróquia, a comunicação de que eu não seria ordenado. Levaram um
enorme susto, não entendendo nada. Eu mesmo naquele tempo pensava,
tudo isto deverá servir para alguma coisa. Vê como são as coisas:
em setembro de 1939 não podia ser ordenado, meio ano depois podia. E
todas as ordenações, uma após outra. Em março fui ordenado
sacerdote. Ou eu me tinha convertido ou os Padres. Em todo
o caso tudo continuou. A minha primeira missa teve algo de especial.
Domingo da Paixão de 1940. Tudo de cor roxa. Era uma
Missa festiva de luto. Foi a primeira Missa celebrada na Basílica
que pouco antes se tornara uma igreja paroquial. Diremos que foi a
Previdência Divina. E era a minha ascensão. Muito simbólico que
esta começou no Domingo da Paixão. Fiquei em São Paulo para
terminar os meus estudos. Surgiu então outro problema. Ajudando a
mudar de lugar um órgão pequeno, caí e tive uma fratura dupla. O
médico prescreveu 3 meses de repouso absoluto para evitar a
necessidade de uma cirurgia. Mas eu queria terminar os meus estudos a
todo custo. Depois de muito discutir a cúpula permitiu a minha ida
para Mogi onde eu receberia aulas particulares. Consegui passar pelas
provas sem problemas. "Teve alguma dificuldade com o exame de
jurisdição?".
Não,
porque tivemos sorte. Você tem razão. Estes exames eram muito
difíceis. A matéria dos exames era dividida em 3 partes de 25 teses
cada parte. Portanto, muito estudo. E decorar. Quem nos ajudou muito
foi Tarcísio Meinen. Ele tinha o incrível dom de dizer tudo em
poucas palavras. Ele nos ajudou a preenchermos os três esquemas das
vinte e cinco teses. De maneira mais concisa possível, ficando assim
fácil para a gente decorar. Ele fez com que todos nós passássemos
nos exames. Não tirei nota dez mas consegui passar. Uma vez pronto
com os estudos e os exames, recebi uma carta do grande Canísio
Mulderman, pedindo-me o favor de ir para a Bahia por algum tempo. Lá
se precisava de um canto para as solenidades da Semana Santa. Tinha
que viajar de navio e levar toda a minha bagagem, por isto era de
graça. Este "algum tempo" durou 12 anos. "Você ia
para cantar. O que mais fez por lá?"
Naquele
tempo as solenidades eram cantadas. Eu não cantava muito desafinado
de modo dava para quebrar o galho. Iniciávamos em Salvador e de lá
para arredores, dando assim às pessoas que moravam fora da cidade,
uma chance de fazerem a Páscoa. Depois de algum tempo isto terminava
e começava o trabalho propriamente dito: ouvir confissões, dar
aulas de catecismo, preparar a primeira comunhão e crisma, fazer
casamentos, visitar doentes etc. Isto fiz durante alguns anos junto
com o Bispo.
De Salvador
viajávamos de trem e continuávamos viajando a cavalo para o
interior. Ficávamos durante uma semana num lugar e de lá para outro
lugar. Depois de dois ou três meses voltávamos para casa para
descansar um pouco. Depois começava tudo de novo. Além disto havia
as "Missões". Muitas pregações, procissões, confissões,
batizados etc. Desta maneira, viajando a cavalo, conheci todo e
Estado da Bahia e de Alagoas. De um lado estas Missões nos deixavam
felizes porque via-se o resultado dos trabalhos; de outro lado era um
trabalho que exigia muito sacrifício.
Viajava-se a
cavalo, dias, semanas, e meses, ficava-se sentado horas e horas no
confessionário e tinha-se que pregar numa praça para uma grande
multidão, e sem microfone, horas e horas, ameaçando o povo com
inferno e condenação. Aquela gente nem sabia o que era pecado. Mas
eles me impressionavam e eu a eles. Com toda a modéstia pode-se
comparar isto como milagre de Pentecostes. A gente se entendia, cada
um a seu modo. E quando depois chegávamos em casa, o Prior tinha
organizada uma festinha como preparação para a viagem seguinte.
Daquela maneira vivi anos na Bahia e trabalhei demais. Mas certo dia
veio uma grande mudança na minha vida.
A segunda
ascensão, por assim dizer. Recebemos a visita de Blenke. Eu acabara
de voltar de uma das viagens. Quando chegou a minha vez de conversar
com ele, me disse que eu, a partir daquele momento, tinha sido
nomeado diretor da escola. Me senti como Moisés, e começava a
gaguejar e protestar. Isto não devia ter feito, assim teria que
aceitar mesmo. Expliquei a ele que de escola nada entendia, que nunca
tinha feito tal trabalho e nem tinha formação para tal tarefa. Não
adiantou. A decisão fora tomada. Me explicou ainda como agir: você
fica sentado no escritório e quando pais vêm dar o nome do filho,
você anota os nomes da criança e dos pais, você diz em que série
a criança vai entrar quando as aulas começarem. Você faz turmas de
vinte alunos e depois começa com outra série. Além disto você
dará aulas de religião. É só isso.
De fato isto
também era tudo que sabia fazer. Comecei esta função e nunca mais
larguei. Não foi fácil mas fiz o que a obediência
exigia de mim. Gozado é que agora que já passei dos setenta anos,
ainda sou diretor dum jardim de infância. Isto é que é fazer
promoção. Isto é de verdade ascensão.
Da Bahia fui
então para São Paulo em 1953. Fui lá algum tempo ecônomo da casa.
Também tinha que levar estudantes para as aulas e depois apanhá-los,
cuidar da administração da casa e fazer as compras. Depois disto
estive algum tempo no Rio e em seguida vigário cooperador em Belo
Horizonte. Lá tomei conta da instalação do órgão e do carrilhão
da nova igreja. O engenheiro da Holanda ficara doente e eu assumi o
trabalho. Inocêncio Gerritsjans e o Governador eram grandes amigos.
O Governador fazia questão de inaugurar e já se tinha combinado
tudo.
Assim eu,
depois de alguns conselhos do engenheiro, comecei a instalar o
carrilhão. Reconheço que aprendi muito com isto e mais
tarde este conhecimento me foi muito útil. Isto foi mostrado mais
quando houve necessidade de uma aparelhagem de traduções para o
Conselho das Províncias. Me perguntaram se eu podia cuidar disto.
Sem pensar nas conseqüências respondi que sim. Não podia mais
voltar para trás. Consegui arrumar umas peças e montar a
aparelhagem, que funcionava direitinho. Desta maneira me tornei um
técnico.
É claro que
não sou técnico coisa alguma, mas assim acontecem as coisas. Tive
várias funções em diversos lugares. Foi assim até 1960, quando
fui indicado para Brasília. Ninguém queria ir para lá porque
devia-se começar sem ter nada. Só nos tinha ser concedido um
terreno. E até a situação do terreno era complicada. Eram terrenos
com 50 metros de largura com 300 metros de fundo. Como construir em
tal terreno uma igreja ou uma casa decente? Não irei-lhe contar toda
esta história. Mas cheguei aqui com um jipe velho com reboque, cheio
de telhas e outro material. Fora disto não tinha nada e não havia
nada. Eu estava sozinho. Talvez tenha sido este o propósito da minha
nomeação. Senti a barra pesada e propus algumas condições. A
primeira era de que a Província forneceria a condução: portanto um
carro. A segunda de que tudo que eu fizesse, o faria em nome da
Província e por último que eu teria liberdade de agir. Em
compensação prometi esforçar-me o melhor possível. A Província
concordou com as condições e até hoje manteve a sua palavra. Assim
cheguei aqui e comecei. A situação estava difícil.
Como eu devia
viver aqui e como me sustentar? Não havia residência e ainda não
havia paróquia. Portanto, não havia rendas. Aconselharam-me a abrir
uma escola. Mas como fazer uma escola particular se a política do
Estado é contra? Propriamente as dificuldades eram tantas que mal se
via uma solução. E naquele ano era ainda incerto o projeto de se
fazer Brasília capital do país. Em dado momento o Bispo dirigiu-se
ao Governador para perguntar como estava a questão de terrenos para
igrejas e conventos. Ficou então claro que não se tinha levado em
conta este problema.
O Bispo então
ameaçou fazer propaganda contra Brasília se não se resolvesse este
problema. E isto assustou o pessoal porque com a Igreja contra, todo
o negócio estaria perdido. Alterou-se então todo o planejamento e
eu recebi um bom pedaço de terreno para começar. Comecei com a
construção de uma pequena casa. Mas como conseguir o material?
Paulo Kogelman me disse que lhe foi prometido um número de barracas
militares. Fui à procura da coordenadora das obras. Havia centenas
de pessoas na fila. Fiquei simples mente no começo da fila e comecei
a falar de dez barracas. Ela não sabia de nada. Continuei falando
enquanto ela atendia outras pessoas. Ela ficou tão chateada com isto
que em dado momento, quase chorando, gritou: Quantas daquelas coisas
o senhor afinal quer? Respondi, para começar três. Na hora ela
assinou um papelzinho e recebi as barracas. Com este material
construi uma pequena casa, uma igrejinha de madeira e algumas salas
de aulas. No começo os negócios não andavam bem e havia
dificuldades com as Irmãs. Mas como se diz a morte de um é o pão
do outro. Isto se deu comigo.
A igrejinha
estava lá, ainda sem pintura e não funcionando. Em dado momento
morreu o filho de um dos grandes de Brasília, de difteria. O cadáver
tinha que ser retirado do hospital imediatamente. Perguntaram-me se o
ataúde podia ficar exposto na igreja. Claro que respondi
afirmativamente. Continuou ex- posto o dia todo e era um entrar e
sair de gente graúda sem parar. Recebi todos bem e em pouco tempo
começou a chegar de tudo: asfalto, tintas, telhas, tijolos, cimento
etc. Assim começou o negócio. Posso lhe dizer que a escola ia bem.
Primeiro um jardim de infância, em seguida uma escola de 1º grau e
ainda uma escola de 2º grau. Tudo isto passou para as Irmãs da
Divina Providência. Em lugar disto comecei uma escola Montessori
para crianças. Desta ainda hoje sou diretor.
Aos poucos
vou sentindo o peso da idade. Eu tenho ainda idéias para uns 20
anos. Mas a execução delas prefiro deixar para o meu sucessor.
Provavelmente este começará mudando tudo que já foi feito. Sempre
é assim.
O primeiro
vigário constrói, o segundo derruba e o terceiro restaura conforme
o original. Comigo não será diferente. É assim que deve ser.
Vigários vêm e vão, mas a Igreja continua. A grande pergunta,
porém, é: será que haverá mesmo um sucessor?
Aconteceu
nestes 30 anos em Brasília
-Vinda dos
Padres Carmelitas da Província Carmelitana de Santo
Elias - 1959. Provincial Frei Bonifácio
Harink.
-Criação da
Paróquia de N.Sra. do Carmo – Goiânia – GO, Dom Fernando Gomes
02-02-1959 Decreto 38.
-Nomeação
do primeiro Pároco Frei Paulo Kogelman O.Carm.
-Nomeação
do segundo Pároco Frei Lamberto Lambooy O.Carm. 22-02-1960
-Bênção do
Sino e Carrilhão do Carmo por Dom José Newton de Almeida Batista
11-04-1982
-Colocação
e bênção da pedra fundamental do Santuário por Dom José Newton
de Almeida Batista, 15-07-1984
-Transladação
da Imagem da Padroeira à nova Igreja, ainda em construção
17-07-1985
-Solene
dedicação do Santuário de Nossa Senhora do Carmo e o
dia dos 50 anos de Sacerdócio do seu Pároco, Lamberto Lambooy O.
Carm.
Consagrante:
Cardeal Dom José Freire Falcão – Arcebispo de Brasília
Dom José
Newton de Almeida Batista – Arcebispo Ordinário Militar
Dom Geraldo
de Ávila - Auxiliar
Dom Raymundo
Damasceno Assis – Assist. Auxiliar
Bispos
Concelebrantes Carmelitas:
Dom Frei
Raimundo Lui – Bispo Emérito de Paracatu
Dom Frei
Eliseu Gomes de Oliveira – Bispo Emérito de Itabuna (BA)
Dom Frei
Paulo Cardoso da Silva – Bispo de Petrolina (PE)
Dom Frei
Alberto Forst – Coadjutor de Dourados (MS)
Hoje
Agradecendo..estou em festa, pois é o primeiro dia do restante da
minha vida.
Quero
Agradecer¼
A Deus que me
chamou e a todos que cooperaram em eu ser um Sacerdote
A Virgem do
Carmo e a muitos meus irmãos de hábito que permitiram e me ajudaram
a ser um Religioso e Padre da Província Carmelitasna de Santo Elias
Aos meus
Pais, Irmãos e Parentes que com sua ajuda, orações e sofrimentos
mantiveram "de pé" minha vocação e meu ideal.
Aos meus
amigos, paroquianos e alunos, que tanto por mim fizeram e
infelizmente, eu nem sempre soube apreciar e reconhecer. Devo a
muitos e muitos me devem. É tão bom perdoar e ser
perdoado¼Pois¼ Para
que tanta lida por tão pouca vida.
Combati o bom
combate e deixo aqui meu último desejo: Virgem do Carmo Estrela do
Mar. Meus olhos te vejamAntes de expirar.
Um
Carmelita Pioneiro
Frei
Lamberto Lambooy, filho de pais muito católicos, nasceu em Hengelo,
na Holanda, no dia 30 de junho de 1916 e recebeu no batismo os nomes
de Gerhard Herman Josef. Depois do curso do 1º grau na cidade natal,
freqüentou de 1929 a 1933 o ginásio Santo Alberto dos Carmelitas em
Zenderen e imediatamente inscreveu o seu nome entre os jovens que
desejavam ser missionários do Brasil, onde seu tio Frei Carmelo
Lambooy, já trabalhava como pioneiro e médico de corpos e almas nos
sertões de Minas Gerais na recém criada Prelazia de Paracatu. Fez o
noviciado em Mogi as Cruzes, onde professou no dia 17 de janeiro de
1935. Cursou filosofia e teologia no Convento do Carmo de São Paulo,
ordenando-se presbítero no dia 9 de março de 1940.
Ao
terminar o curso de teologia foi enviado à Bahia com outros
"expedicionários" e com muito zelo missionário, trabalhou
durante 9 anos e meio com o povo bom e religiosos do sertão,
auxiliando bispos e sacerdotes. De 1950 a 1954, sendo eleito Prior,
dedicou-se à conservação do enorme convento da Igreja e Convento
do Carmo de Salvador. Nesta oportunidade promoveu o Congresso do
Santo Escapulário, propagando com muito entusiasmo a sua devoção a
Nossa Senhora do Carmo entre os leigos e sacerdotes, pois amava as
coisas da Ordem como as rosas de Santa Teresinha a água de Santo
Alberto.
Terminada a
missão na Bahia, foi trazido pelos Superiores para São Paulo, onde
foi procurador do Convento mas, nomeado Diretor das Ordens Terceiras
e Promotor Vocacional, mudou-se para o Convento da Lapa e em
1959 para Belo Horizonte, donde em 1960 foi estabelecer-se em
Brasília, a nova Capital, aí exercendo todo o seu zelo pastoral e
demonstando a força da sua devoção a Nossa Senhora do Carmo, a
criatividade, a fantasia e o espírito de pioneiro em casa de
madeira, celebrando em salão ou Igreja também de madeira, mas aos
poucos foi construindo o grande Santuário de Nossa Senhora do Carmo
e o Convento, uma casa para retiros e outros encontros, com boa
acomodação e tradução simultânea e principalmente a Escola
Montessori, menina dos olhos, com todas instalações necessárias
para uma escola modelo e moderna, atraente e cômoda para crianças
em idade pré-escolar e mais ainda para os pais com minizoológico,
piscina, carossel, miniparque de diversão, castelo com anõezinhos,
trenzinho, cidade miniatura completa com orientação de trânsito
etc. Além disso, as estações de Via Sacra e dos Mistérios de
Santo Rosário para meditação e o "Recanto do Cadango"
para lazer nos domingos e feriados e com o lucro, assistência aos
meninos pobres; ainda seria erguida uma estátua do Profeta Elias com
placa comemorativa, mas veio a morte¼ Sofreu
muito por conta da doença de diabetes e cardíaca. Faleceu no dia 11
de janeiro de 2000, aos 83 anos e meio.
A Missa
exequial foi presidida pelo Sr. Arcebispo de Brasília, Cardeal Dom
José Freire Falcão. Por ser pioneiro foi sepultado no Cemitério
"Campo da Boa Esperança", na ala dos pioneiros. "Sim,
diz o Espírito, descanse dos seus trabalhos, pois suas obras o
acompanham"! Amém. (Ap. 14,13)
(Boletim
da Província Carmelitana de Santo Elias, nº 232, Jan./Março 2000,
pág.11)
Na paz do
Senhor. Frei Lamberto Lambooy O.Carm. (1916-2000)
Sua
vida se confundiu com Brasília. Alé trabalhou desde 1960 até a sua
morte, em 11 de janeiro de 2000. A gratidão do povo se expressouy
sepultando-o no cemitério "Campo da Boa Esperança", na
ala dos pioneiros. Fazoa do humor a sua grande argumentação na
orientação espiritual. Ao marido que lhe confidenciava que estava
para separar-se da esposa, respondia que lhe contasse bem devagar.
Por que ? Respondia o Frei :"Porque ela pode morrer de
alegria". Assim desfazia os dramas. Nos seus 83 anos de idade
acumulou grande experiência pastoral, desde os anos passados na
Bahia, acompanhando nas missões pelo sertão o Cardeal Dom Augusto.
Exerceu suas atividades em São Paulo como Diretor das Ordens
Terceiras e Promotor Vocacional. Por um ano residiu no Carmo de Belo
Horizonte.
Conviveu com
os candangos na construção de Brasília, morando em casa de
madeira, celebrando em salões improvidados como Igreja. Deixou a
grande obra do Santuário de N. Senhora do Carmo com a casa paroquial
e dependências dos serviços pastorais. Mas a Escola Montessori foi
a menina dos seus olhos, com todas as instalações necessárias para
um estabelecimento escolar moderno, atraente e cômodo para crianças
em idade pré-escolar e mais ainda para os pais, com mini-zoológico,
piscina, carrossel, mini-parque e diversão, trenzinho, cidade
miniatura completa.
A Missa do
corpo presente foi presidida por Dom José Freire Falcão, Cardeal –
Arcebispo, que na sua homilia, se referiu ao Frei Lamberto
com "aquele que teve uma imaginação de artista e um
coração de pastor". (Revista Carmelita, Ano 2 –
Número 5, pág. 26).
Notícia
da morte de Frei Lamberto no Correio Braziliense, 12 de janeiro de
2000.
Frei
Lamberto, Pároco da Igreja do Carmo
A
Igreja Católica perde um de seus pioneiros em Brasília. O Frei
Lamberto Lambooy, fundador da Paróquia de N. Sra. do Carmo, na 913
Sul, será sepultado hoje, às 10,30 horas, na ala dos pioneiros do
Cemitério Campo de Boa Esperança. A Missa de corpo presente, com a
presença de autoridades da Igreja no Distrito Federal está marcada
para 8 horas na Paróquia fundada por Frei Lamberto que estava
internado desde Dezembro de 1999 no Hospital Santa Lúcia, onde veio
a morrer de insuficiência cardíaca, aos 83 anos de idade.
Gerhard
Herman Josef Lambooy (foto) nasceu em Hengelo, na Holanda,
em 30 de junho de 1916. Veio para o Brasil em novembro de 1933,
acompanhado por 8 colegas e um frade carmelita holandês.
Iniciou o
noviciado em Mogi das Cruzes em Janeiro de 1934. No ano seguinte,
tornou-se Frei Carmelita, sendo ordenado sacerdote em 1940 na cidade
de São Paulo.. Em 1941 foi transferido para Salvador, onde
permaneceu por 8 anos. Morou ainda em Cachoeira (BA), Rio de Janeiro
e Belo Horizonte até ser transferido para a nova capital brasileira,
em 1959. Em fevereiro de 1960, assumia como Vigário a Paróquia de
N. Sra. do Carmo.
A primeira
Missa celebrada por Frei Lamberto na Paróquia correu em um Domingo
de Ramos, na garagem do sobrado de madeira que depois se tornaria a
Igreja. Pelo esforço constante em favor da paróquia, Frei Lamberto
Lambooy tornou-se conhecido de toda a comunidade católica do
Distrito Federal. Ele celebraria as Bodas de Diamante (60
anos – 39 em Brasília) de sua vida sacerdotal no próximo mês de
Março.
Frei
Lamberto Lambooy (5.33) é o homem do Carrilhão. (Agosto de 1977)
Belo
Horizonte (MG) ‑ Frei Lamberto Lambooy, de Brasília, esteve,
na segunda quinzena de agosto, na Comunidade de Belo Horizonte. O
objetivo de sua estada na Capital mineira esteve ligado ao carrilhão
da igreja do Carmo.
Frei Lamberto
é o único, que consegue mexer no carrilhão, que, funcionando há
uns 20 anos, estava precisando de uns reparos. O carrilhão estava,
de fato, um pouco abandonado e precisava do extraordinário know-how
de Frei Lamberto. (Boletim 32, Setembro 1977, pág. 37).
Um
Carmelita Pioneiro
Com
esta manchete, o Boletim "Diocese Viva" de Brasília, do
mês de Abril de 2000, fala de Frei Lamberto Lambooy. Sintetizou a
sua vida com as seguintes palavras : "Fiel a Jesus e
devotado a Maria". Descreve suas peripécias por lá, quando
Brasília nem havia inaugurada. "A frente dos Carmelitas
pioneiros, ele trabalhou duro". Aponta suas atividades.
Construiu a igreja paroquial, foi Diretor Espiritual dos Cursilhos
por mais de 20 anos. Dedicou-se com zelo à Escola Moderna Maria
Montessori. "Como herança, deixa mais do que a
obra visível de uma Paróquia solidamente implantada e de uma escola
católica moderna. Ele deixa o grande exemplo de um autêntico
carmelita que soube unir à ação missionária, o amor à oração e
à contemplação". (Boletim
da Província Carmelitana de Santo Elias, numero Abr/Jun. 2000, pág.
7)
Frei
Lamberto Lambooy (Gerhardus Herman Josef).
Nasceu
30-06-1916 em Hengelo (Holanda).
Professou
17-01-1935. Ordenou-se 09-03-1940.
Cap.
1935 São Paulo - Clérigo
Cap.
1938 São Paulo - Clérigo
Cap.
1941 Salvador
Cap.
1944 Salvador
Cap.
1947 Salvador
Cap.
1950 Salvador - Prior
Cap.
1954 São Paulo -
Procurador.
Cap.
1957 Lapa.
Cap.
1960 Brasília.
Cap.
1963 Brasília - Vigário.
Cap.
1966 Brasília - Subprior -
Vigário.
Cap.
1969 Brasília - Vigário.
Cap.
1972 Brasília - Vigário.
Cap.
1975 Brasília - Vigário.
Cap.
1978 Brasília - Vigário.
Cap.
1981 Brasília - Vigário.
Cap.
1984 Brasília - Vigário.
Cap.
1987 Brasília - Vigário.
Cap.
1990 Brasília - Vigário.
Cap.
1993 Brasília - Vigário.
Cap.
1996 Brasília - Vigário.
Cap.1999 Brasília
- Vigário.
Faleceu em 12
de janeiro de 2000.